Para escutar os Clássicos ou como ser um ouvinte exigente

O que é?

Trata-se de um curso voltado para a escuta dos compositores clássicos ocidentais. 

O que pretende

Introduzir o ouvinte “amador” no universo de uma escuta mais atenta, criteriosa e participativa.

Por que escutar os clássicos?

A música clássica é uma tradição de arte ocidental. Não é um estilo, nem um gênero de música. Também não é música para se relaxar ou meditar, como se propaga na mídia, tão pronta a criar preconceitos e conceitos esteriotipados. Aliás, uma obra musical pode ser extremamente perturbadora, a ponto de ocupar nossos ouvidos e pensamentos por vários anos.

Música clássica é uma tradição artística de mais de 1500 anos que teve seus primórdios na Idade Média e cujas raízes estão encravadas nas Grécia antiga. Desprezar a escuta de Bach, Mozart ou Beethoven é impor-se uma limitação desnecessária e triste. “Seria o mesmo que proibir a si mesmo a leitura de Shakespeare”[1]

Adentrar a esse universo tão amplo e multifacetado não lhe trará riquezas materiais, nem status social, mas poderá lhe abrir uma dimensão de vida que só experimenta quem descobre o gosto da música.   

Metodologia

A metodologia está baseada nos princípios propostos Mortimer Adler para a leitura de livros, em uma adaptação para a escuta musical, com contribuições de Aaron Copland, Arthur Nestroviski, Claude Palisca e Ricardo Rizek.  E pode ser assim resumida: 

·        Escutar aprende-se escutando. Nada pode substituir a experiência direta da música. Assim, sempre partiremos da obra a ser escutada, nos perguntando: você está ouvindo tudo o que está acontecendo?

·        Encontros de escuta. Além da escuta em casa, os alunos se encontram com o professor para sessão de escuta em conjunto. Nesse encontro, o professor explica as técnicas de escuta e os aspectos da composição musical indispensáveis para que o ouvinte não perca os acontecimentos musicais mais importante em uma obra.

·        Seminário. Após a sessão de escuta, o professor conduz uma discussão sobre o que foi escutando, levantando os aspectos objetivos (musicais) que demonstrem a unidade, a variedade, o estilo e a qualidade artística, enfim o valor estético da obra em questão, bem como de que forma ela estabelece um diálogo com outras obras.  

Quem pode participar?

Qualquer pessoa, acima de 15 anos, interessada a tornar-se um amante da música.

Programa

Neste dois primeiros módulos (16 aulas), foram escolhidas Dez Obras que demonstram claramente o diálogo estabelecido no seio da tradição musical ocidental. Como diz Nestroviski, o traço fundamental é que “a música clássica é um cânone que vai se formando justamente à medida que as obras põem-se em relação umas com as outras”[2].

Obras musicais Conteúdo

Módulo I

J. S. Bach. Prelúdio e Fuga n.º 1 do Cravo bem Temperado, vol. 1.

J. S Bach. Cantata n.º 80

parâmetros sonoros, elementos da música, formas de escuta;
W. A. Mozart. Concerto para piano e orquestra em Dó maior, KV 503. grandes formas, textura, motivos temáticos;
L. van Beethoven.  Sonata para Piano em fá menor, op. 57, “Appassionata” construção, unidade e variação, estilo;
L. van Beethoven. Sinfonia n.º 5, em dó menor, op. 67. construção, unidade e variação, a orquestra;

Módulo II

F. Chopin. Prelúdios, op. 28 pequenas formas;
J. Brahms. Sexteto de Cordas, op. 10 música de câmara, ampliação das formas clássicas;
C. Debussy. Prelúdios para piano. pequenas formas, textura, timbre, estilo;
A. Schoenberg. A noite transfigurada. (as duas versões: sexteto e orquestra de cordas) textura, unidade, variação, motivos temáticos;
H. Villa-Lobos. Bachianas Brasileiras n.º 4. (a duas versões: piano solo e orquestra) a orquestra, formas, estilo, textura, unidade e variação;


[1] NESTROVSKI, Arthur. Notas Musicais: do barroco ao jazz. São Paulo: Publifolha, 2000. p. 14.
[2] Idem.